wrapper

“Se acabou o gás pra cantar o mais simples refrão” é porque está na hora de curar a ressaca da Quarta-feira de Cinzas. Como? Tomando boas doses de folia em 365 dias de samba de roda em Padre Miguel. É que, no bairro, os versos de músicas como “O show tem que continuar”, do grupo Fundo de Quintal, dão fôlego a quem gosta de ser bom da cabeça e do pé o ano inteiro.

Palavra de bamba e do Paulinho Produto, dono do Botequim do Produto, que não deixa o samba parar com o fim do carnaval. Todo sábado ele bota o bloco na rua, ou melhor, um grupo de sambistas na calçada da Rua Figueiredo Camargo 172, para receber o público, gente bamba até.

- Boa parte dos compositores que gravaram o CD Quintal do Zeca, de Zeca Pagodinho, já veio aqui. Além de Alamir, De menor, Juninho Timbau... - lista Paulinho Produto, que abriu o bar em 2005.

Tiãozinho da Mocidade, da velha guarda da escola, também entra na lista dos que já participaram do samba de Paulinho Produto. O apelido do sambista veio da forma como chamava o conhaque que pedia sempre no bar.

- Para falar de samba tem que falar de Padre Miguel. Aqui é terra de mestre André, que mudou a percussão do carnaval ao lado de Ivo Lavadeira, Tião Mikimba - diz Tiãozinho.

A roda de samba de Paulinho Produto Foto: Nina Lima / Extra

Batucada era levada só na palma da mão

O calor típico da Zona Oeste era ainda maior quando o povo abriu a roda no botequim pela primeira vez. Era Dia de São Jorge.

- Entupiu. Padre Miguel não tinha roda. Na época, era só na palma da mão. Não havia caixas de som - lembra Paulinho Produto.

A aparelhagem entrou na roda para abafar o som dos autofalantes do comércio, que invadia o samba. E fez o povo ouvir bem músicas como “Ogum” e “Abuso de poder”, de autoria de Marquinho PQD.

- A primeira coisa que eu faço é pedir uma cerveja. E puxo logo uma cadeira. O samba é democrático. Quem quiser pode cantar.

Kenga Harmonia, diretor-geral de harmonia da Unidos de Padre Miguel, sabe bem disso.

- Tem samba aqui no sábado. E, no domingo, começa às 10h na feira, e termina à meia-noite no pagode do Cassinho - diz ele.

Os sambistas da Mocidade Independente de Padre Miguel costumam dar canja no Parada Obrigatória Foto: Nina Lima / Extra

Perto da Mocidade, o Parada Obrigatória

O samba até ganhou nova morada em Padre Miguel. Mais do que isso, um reduto de bambas. Desde outubro, baluartes da Mocidade costumam chegar ao Parada Obrigatória, o bar aberto em frente à nova quadra da escola, na esquina da Avenida Brasil com a Rua Suçuarana.

- Meu maior prazer é recebê-los aqui. Cantam, tocam violão, é uma festa - diz Eduardo Cabral, proprietário do bar.

Lá ou na casa um do outro, professor Afonso Mendes, Jacir Campo Grande, Djalma Nicolau, Irene Albuquerque e Lídia do Peixe, entre outros, formam uma família do samba.

- No meu aniversário, quando vi, estavam no meu portão. E toma samba! - diz Regina Célia, também da velha guarda.

Os sambistas estão conhecendo o Parada Obrigatória Foto: Nina Lima / Extra
 
Comente usando sua conta de redes sociais, yahoo ou hotmail

Comentários | Compartilhamento | Redes Sociais

Possa lhe interessar

  • Prev

Sobre

O nosso projeto prima por colher e fornecer conteúdos oriundos de nosso bairro e adjacências de forma cooperada em mídias digitais.

Integrar comércio, serviços, distribuidores, consumidores, etc., de forma simples com fácil acesso aos usuários, dedicando e mantendo à confiança e credibilidade.