wrapper

O sucesso sempre bate à sua porta. E, mesmo cego, o professor Affonso Mendes o reconhece entre os candidatos que o procuram para aprender canto, cavaquinho e violão. Dos mais de 300 alunos que passaram pela Academia de Música Bangu, onde ensina a sua arte, “uns 30 fazem show por aí”, ele conta.

 

— Um deles é o JB, compositor de “Malandro” em parceria com Jorge Aragão. JB estudou violão comigo. E tem outros mais, que não gostam de citações — relata o professor.

Reconhecido pelos bambas do samba, Affonso Mendes virou professor há 50 anos, quando o público dos seus shows começou a fazer questão de aprender as três artes com ele. Aos 77 anos, ele ensina 50 pessoas atualmente, sendo 20 do curso de cavaquinho, 20 de violão e 10 de canto.

— Eu me canso é de ficar parado. Sinto falta de lecionar, de tocar. Eu levanto com música, deito com música. Durmo com o rádio ligado — revela.

Nem a chegada da cegueira disfarçada de miopia, em 1995, impediu Affonso de planejar as aulas. Ciente disso, ele providenciou um quadro negro, com pautas em alto relevo, para que pudesse escrever.

Os alunos em sala de aula Foto: Alexandro Auler / Extra (Reprodução)

Um exemplo de superação

Foi no ano 2000 que o professor Affonso Mendes preparou-se para a grande mudança que enfrentaria na carreira de mestre. Desde então, precisou aprender como superar as dificuldades físicas. E entendeu isso rápido.

— Me preparei para a cegueira. Além do quadro negro, fiz quatro modelos de caderno e os imprimi para usar nas aulas — conta, listando o caderno de pedagogia do violão, de pedagogia do cavaquinho e de teoria para instrumentos harmônicos, por exemplo.

E até hoje aplica o material nas aulas individuais, “a preços populares”. E com duração de meia hora a uma hora, conta professor Affonso, com toda a sua experiência musical. Ele, que já dirigiu a Velha Guarda Show da Mocidade Independente de Padre Miguel, começou a carreira aos 9 anos, quando apresentava chorinho no conjunto infantil Os Pinguins de Bangu.

— Morei numa rua de vizinhos músicos — diz.

Os alunos tocam e cantam no quintal da escola Foto: Alexandro Auler / Extra (Reprodução)

Aulas práticas no quintal

As aulas não ficam só na teoria, é claro. Principalmente quando os alunos mostram as suas habilidades em shows promovidos no quintal da escola às quintas, às 18h, e no primeiro sábado do mês, quando acontece o famoso “serestão”.

— Saio da Barra da Tijuca para vir à Bangu aprender canto com ele. Eu já conhecia a sua fama de excelente músico e compositor — elogia a cantora Pérola, uma das alunas.

Um dos mais novos é João Carlos, de 15 anos, que estuda cavaquinho por lá há 4 meses.

— Meu tio tocou com o professor e me indicou. Vou me esforçar — diz



Fonte: Extra.globo.com / Bruno Cunha

Comente usando sua conta de redes sociais, yahoo ou hotmail

Comentários | Compartilhamento | Redes Sociais

Possa lhe interessar

  • Prev

Sobre

O nosso projeto prima por colher e fornecer conteúdos oriundos de nosso bairro e adjacências de forma cooperada em mídias digitais.

Integrar comércio, serviços, distribuidores, consumidores, etc., de forma simples com fácil acesso aos usuários, dedicando e mantendo à confiança e credibilidade.